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Kaio

 

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17 agosto 2017

Up, down, turn around, please don't let me hit the ground



Há exatos 30 anos foi lançada uma das coletâneas mais icônicas de todos os tempos: Substance, do New Order.

Após a trágica morte de Ian Curtis em 1980, os três outros integrantes do Joy Division - Bernard Sumner (guitarra), Peter Hook (baixo) e Stephen Morris (bateria) - decidiram continuar a banda, mas sob um novo nome, sugerido pelo empresário Rob Gretton: New Order. Gillian Gilbert, namorada e futura esposa de Stephen, assumiu a segunda guitarra (mas, com o tempo, ambos também usarão teclados) e, após um período de testes (inclusive durante o 1º álbum, Movement), Bernard tornou-se o novo vocalista.

A banda foi construindo sua identidade sonora a cada single - e, tal como os Beatles, os Smiths ou o próprio Joy Division, muitos desses singles não foram lançados nos LPs. Como vários deles estão entre as obras-primas do New Order, vários DJs pediam à banda que compilasse essas canções num álbum só, para facilitar as discotecagens. Foram atendidos em 17 de Agosto de 1987.

O primeiro single, "Ceremony" (1981), é uma das últimas (e melhores) letras deixadas por Ian Curtis. Essa belíssima canção ainda tem certas características do Joy Division (como o baixo melódico e a bateria em estilo militar), mas a sonoridade mais limpa já indica os rumos que o New Order tomaria.
"Everything's Gone Green" (81) é literalmente uma faixa de transição, pois foi a última a ser produzida por Martin Hannett (produtor dos tempos de Joy Division), e a primeira a usar intensivamente os sintetizadores; destaque para o ritmo dançante da bateria.
"Temptation" (1982) é talvez a canção mais característica do New Order, com melodia ensolarada e uma letra levemente melancólica, ainda que certamente mais otimista do que as feitas por Ian. Bernard finalmente perde a timidez para cantar. A versão compilada em Substance é uma regravação de 87, bem superior à original.
"Blue Monday" (1983) é uma das músicas mais dançantes de todos os tempos, e foi um sucesso imediato nas paradas. Ao misturar influências de Donna Summer, Giorgio Moroder e Kraftwerk com uma letra repleta de ressentimento e um uso criativo dos sintetizadores, ela inspirou toda a música eletrônica posterior, desde o synthpop até o techno. "Blue Monday" ainda soa atual, tal como um clássico futurista.
"Confusion" (83) é a primeira parceria com o DJ nova-iorquino Arthur Baker. Mais uma que foi regravada especificamente para Substance, e também ficou melhor do que a primeira versão.
"Thieves Like Us" (1984) tem uma longa introdução instrumental, e é uma das canções mais românticas do New Order.
"The Perfect Kiss" (1985) atinge vários momentos sublimes ao longo de seus mais de oito minutos de duração. A irreverente letra beira o nonsense, e a parte com barulhos de sapo é sensacional.
"Sub-culture" (85) é uma versão remixada de uma canção do álbum Low-life. São tantos efeitos que por vezes parece que o CD está pulando. A letra versa sobre solidão e frustração sexual.
"Shellshock" (1986) entrou na trilha sonora de A Garota de Rosa-Shocking (Pretty in Pink), e novamente temos dois minutos de introdução, além de um refrão empolgante.
"State of the Nation" (86) tem uma vibe oriental, e seus versos têm mais conteúdo social do que a média das canções do New Order.
"Bizarre Love Triangle" (86) é a canção que introduziu muita gente (inclusive eu) ao NO, seja pela sua presença constante em festas Anos 80 ou pelo cover acústico do Frente. Tanto sua letra quanto sua melodia são inesquecíveis.
"True Faith" (1987) foi o carro-chefe de Substance (conseguindo as melhores colocações até então do New Order nas paradas inglesas e americanas) e antecipa a sonoridade que o conjunto adotará nos próximos anos. Seu divertido clipe contribuiu para a crescente popularidade da banda.

Se com essas 12 faixas já são preenchidos 2 LPs, a versão em CD tem um segundo disco só com B-sides e remixes. As melhores músicas desse CD 2 são "In a Lonely Place" (outra letra - bem soturna, diga-se de passagem - deixada por Ian), "Procession" (com seus teclados onipresentes), "The Beach" (uma versão alternativa de "Blue Monday") e 1963 (melodia irresistível, letra perturbadora).


Substance, portanto, é um dos raros casos de coletânea que contém tanto material inédito que se torna tão (ou mais) importante que os demais discos. Mais do que isso: é um dos álbuns fundamentais da década de 80, oferecendo ao ouvinte um inovador e instigante cruzamento entre post-punk e pop eletrônico.

 

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